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Postador Por Rembrandt Carvalho

Família de estuprador propôs casamento aos pais da vítima para livrá-lo da condenação

 Mais um caso de estupro de menor aportou à Justiça de Rondônia, mas, diferentemente de outras situações, o enredo revelou a formação de uma força-tarefa para tentar livrar o sentenciado da culpa. Além de várias investidas patrocinadas por familiares e amigos do estuprador, uma proposta indecente: a fim de inocentar o criminoso, pessoas próximas a ele sugeriram os pais da vítima que aceitassem um casamento entre os envolvidos.

Não deu certo.

O juiz de Direito Alencar das Neves Brilhante, da 1ª Vara Criminal de Alta Floresta do Oeste, condenou Afonso Carvalho Dias Gomes a uma pena de oito anos e oito meses de reclusão. Caso transite em julgado, o regime inicial para cumprimento de pena será o fechado.  

Cabe recurso da decisão.

“Faculto ao réu o apelo em liberdade, salvo, por óbvio, a hipótese de se encontrar preso por outro motivo/processo, porque na condição de livre, nestes autos, respondeu ao processo e não verifico o surgimento de algum fundamento para a decretação da prisão preventiva”, imputou o magistrado.

Logo no começo da sentença, o membro do Poder Judiciário asseverou:

“O acusado não negou que praticou a relação sexual com a menor na ocasião e local dos fatos e nem que eventualmente tivesse desconhecimento sobre a idade da vítima. Pelo contrário, confirmou que manteve a conjunção carnal com a adolescente, negando, contudo e como já era de se esperar, que houve emprego de violência ou que a menor não consentiu com o ato”, apontou Brilhante.

Os pais da menina relataram em audiência que foram procurados por várias pessoas ligadas a Afonso Carvalho depois dos fatos para tratar do crime. Informaram que, logo depois do abuso sofrido pela filha, foram procurados em sua residência por uma pessoa que se dizia ser primo do pai do condenado, o qual queria “saber o que poderia ser feito” para resolver o problema, propondo que fosse realizado um casamento entre o acusado e a vítima .

O pai da moça ainda informou que a mãe do sentenciado também lhe procurou em sua casa para saber sobre os fatos e sobre a sua família.

De acordo com o genitor a menor sofreu “muita” exposição social em razão do ocorrido, tanto em redes sociais como na cidade, tornando-se alvo de chacotas e comentários. Em decorrência disso, fora, ainda, submetida à realização de tratamento médico com uso de “coquetel” de remédios para doenças sexualmente transmissíveis.

“E a procura pela família da vítima, relatada acima, conforme já foi dito, restou confirmada pela genitora e pelo pai da menor, uma vez que, conforme consignado, várias pessoas próximas ao denunciado procuraram os responsáveis legais da adolescente na tentativa de ‘realizar acordos’”, concluiu o juiz.





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