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Postador Por Rembrandt Carvalho

Câncer de intestino está entre os que mais crescem no Brasil, mas medidas simples podem preveni-lo

Cristina Horta/EM/D.A PRESS
Ele é considerado o terceiro tipo de tumor mais comum no mundo e, no Brasil, tem atingido cada vez mais jovens nos últimos anos. Também conhecido como câncer de cólon ou colorretal, o câncer de intestino tem seus sintomas muitas vezes negligenciados pela população, que o confunde com problemas relacionados a outras doenças. Só este ano, deve acometer 34 mil brasileiros, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A prevenção, indicam especialistas, é o segredo para um tratamento eficaz.

Coloproctologista do Hospital Madre Teresa, Hilma Nogueira da Gama diz que o aumento dos casos está ligado a uma dieta com muita química, agrotóxico e comida pré-pronta. Somada à falta de informação, ao constrangimento e preconceito de tratar do ânus, o resultado é uma explosão da doença, que pode ser evitada com medidas simples. A prevenção começa com o exame de colonoscopia para rastreio de pólipos, que antecedem o tumor – espécie de verruga que aparece no intestino e leva de cinco a 10 anos até virar um câncer. Saiba mais: Dieta pesada é um gatilho para o câncer de intestino 

Segundo Hilma, ainda não se sabe por que os pólipos se desenvolvem. Um dos sinais de alerta são sangramentos nas fezes – daí a importância de sempre observá-las, pois a causa pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo câncer. Pacientes frequentemente erram ao relacionar o sangramento intestinal apenas a hemorroidas, de acordo com a médica. Assim, quando o sangramento cessa, os pacientes geralmente não procuram atendimento médico. Ela lembra que pólipos e câncer podem sangrar intermitentemente, logo, um episódio de sangramento intestinal pode ser o primeiro sinal de câncer de intestino, curável na sua fase inicial em 100% dos casos e que pode ser evitado com exame do reto e colonoscopia.


Euler Júnior/EM/D.A PRESS
A médica ressalta que o tratamento é por meio de radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, que evoluiu muito recentemente, perdendo o caráter agressivo para se tornar minimamente invasiva. A maioria dos procedimentos é feita por vídeo e grande parte durante a própria colonoscopia. Ou seja, se um pólipo for constatado num exame, programa-se outro para retirar o tumor pequeno de colo. “A recuperação é tranquila e o paciente volta à vida normal em 30 dias. Quanto mais cedo operar, melhor, assim, depois da cirurgia não é necessária químio ou radioterapia. O paciente de câncer não sente nada, só vai sentir quando está ruim.”

Por isso, afirma Hilma, é essencial não negligenciar qualquer alteração. “O paciente tem um sangramento direto por um dia, depois de um mês tem outro. Acha que é hemorroida. O câncer não sangra todo dia e, enquanto procura as causas, pode passar por diversas especialidades médicas. Até chegar ao proctologista, esse 'tour' leva um ano”, diz. O exame é recomendado a partir dos 50 anos, mas pessoas com casos na família devem fazê-lo antes. A coloproctologista afirma, no entanto, que não se deve estabelecer uma idade mínima para procurar um médico e fazer exames de rotina, principalmente diante de qualquer alteração. “Ele deve ser feito com qualquer idade, pois apenas 10% dos tumores são genéticos.”


EM/D.A Press



GENÉTICA O oncologista e diretor clínico da Personal Oncologia de Precisão e Personalizada, André Murad, ressalta que os tipos de câncer colorretal hereditário são hoje facilmente detectáveis por meio de análise genética da saliva ou do sangue. “Uma vez identificada a mutação ou mutações predisponentes, um aconselhamento especializado é oferecido, e as condutas preventivas variam entre colonoscopias anuais, uso de medicamentos preventivos como a aspirina e até a remoção preventiva do intestino grosso”, diz o oncologista.

Ele destaca que o câncer de intestino tem grande chance de cura, especialmente se a doença está restrita ao intestino, podendo os índices chegarem nesses casos a 90%. “O mundo moderno faz com que tenhamos hábitos de vida que aumentam as taxas da doença, como dieta inapropriada, pouca ingestão de fibras, legumes, verduras e grãos, além do sedentarismo e da obesidade. Paralelamente, as pessoas em geral não se conscientizam da necessidade dos exames de rastreamento, o que reduziria dramaticamente a incidência e a mortalidade pela doença”, afirma.

Além do atendimento a pacientes com câncer, o médico se dedica também a pesquisas no laboratório de genética tumoral e oncogenética da clínica belo-horizontina. No início do mês, a Personal assinou a filiação e parceria médica e científica com o Centro de Oncologia do Hospital Montefiore, de Nova York, um dos mais avançados e renomados dos Estados Unidos. A filiação vai propiciar reuniões clínicas conjuntas por teleconferência, o programa de segunda opinião, intercâmbio de oncologistas e estagiários, condução conjunta de estudos e ensaios clínicos com novas drogas no tratamento do câncer. O Montefiore vai ainda validar a plataforma inédita para sequenciamento genético de tumores que está sendo criada em Belo Horizonte. O projeto Onco-alvo envolve 150 genes e promete ser o mais completo do mercado na análise de todos os tipos de câncer.













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