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Postador Por Rembrandt Carvalho

O Maior Presidente que já teve os Estados Unidos Barack Obama deixa a presidência acumulando sucessos e polêmicas; relembre


Cercado de expectativas, Obama assumiu a Casa Branca sob o slogan: 'Yes, we Can' (Sim, nós podemos) (Foto: AFP)

Quando subiu no palanque montado no McCormick Place, em Chicago, e falou como presidente dos Estados Unidos pela última vez, certamente um filme deve ter passado na cabeça Barack Obama. Filho de mãe americana com ascendência inglesa e pai queniano, o homem nascido no Havaí marcou a história mundial por ser o primeiro homem negro a assumir a presidência dos Estados Unidos, posição que deixará de ocupar nesta sexta-feira (20) quando termina seu segundo mandato.
Nos anos que se passaram, Obama acumulou as graduações em ciência política pela Universidade Columbia e em direito pela Universidade de Harvard, onde foi presidente da Harvard Law Review, uma revista criada por estudantes. Para garantir sua candidatura à Casa Branca, em 2007 e ao longo de 2008, ele enfrentou uma longa batalha com a senadora Hillary Clinton, quem tempos depois ele apoiaria na disputa contra Donald Trump. Até então, o homem negro acumulava pouca experiência política – foi senador por apenas quatro anos e, antes disso, legislador de Illinois por oito -, mas ao ouvir os aplausos e gritos de 'fique' das 54 mil pessoas que acompanhavam o evento, Obama sentiu que o seu trabalho estava cumprido.
Reforma na saúde promovida por Obama corre risco de ser revogada pelo novo presidente, Donald Trump (Foto: AFP)
Acordo nuclear com o Irã foi considerado uma vitória diplomática importante (Foto: AFP)
Recuperação após grave crise financeira foi uma das conquistas da 'Era Obama' (Foto: AFP)
Obama surpreendeu o mundo e foi primeiro presidente americano a visitar a ilha de Cuba em 50 anos (Foto: AFP)
Para Obama, aprovação da união entre pessoas do mesmo sexo pelo corte americana foi vitória da América
 (Foto: AFP)
Entre os pontos que causaram polêmica no governo de Barack Obama está o fechamento da base militar na Baía de Guantánamo, em Cuba. Durante a campanha, ele usou o argumento de que o local era caro ao Estado e usado por grupos terroristas para recrutar membros. A promessa do fechamento da base criada pelo ex-presidente George Bush, em 2002, animou o os eleitores por conta das torturas realizadas no local. 
Foto: AFP
Após uma década de combate, Obama prometeu, ainda durante a sua primeira campanha à presidência, que iria retirar totalmente as tropas do Iraque. A proposta encontrou facilidades em um acordo assinado por Bush que previa a redução aos poucos dos americanos do país do Oriente Médio e a saída de vez em 2011. 
Presidente enfrentou resistencia dos militares ao tentar retirar as tropas do Iraque (Foto: AFP) 
Obama considerou com uma das decisões mais difíceis do seu governo quando mandou soldados para o Afeganistão (Foto: AFP)
O uso de equipamentos voadores não tripulados sem foi tratado com polêmica, mesmo quando um drone desarmado foi usado para encontrar o terrorista Osama bin Laden. De acordo com relatórios divulgados pelo jornal The New York Times, Obama autorizou 506 ataques que mataram 3.040 terroristas e 391 civis. Os números são maiores de que o do seu antecessor, George W. Bush, que autorizou aproximadamente 50 ataques com drones que mataram 296 terroristas e 195 civis.
Relatórios mostraram que drones de Obama mataram mais gente do que os do seu antecessor, Bush (Foto: AFP)

Massacre contra crianças 
No final de 2012, um massacre na escola Sandy Hook, Newtown, Connecticut, deixou 26 pessoas – 20 crianças com idades entre 6 e 7 anos. O incidente chocou os Estados Unidos e foi classificado pelo presidente Barack Obama como um dos episódios mais tristes durante os seus oito anos de gestão. 
Barack Hussein Obama II chegava ao posto cercado de expectativa pelo slogan 'Yes, we can' (Sim, nós podemos), marca durante a sua campanha. Obama estudou em escolas da Indonésia, país ao qual sua família se mudou após sua mãe, Ann Dunham, se separar do seu pai e se casar com o indonésio Lolo Soetoro, um estudante de pós-graduação em geografia que ela conheceu na Universidade do Havaí. Em 1971, ele voltou ao Havaí para viver com seus avós maternos. Seus primeiros passos rumo ao sucesso político foram dados em Los Angeles, na Califórnia, para onde migrou em 1979, quando fez seu primeiro discurso público contra a política do apartheid na África do Sul.
“Hoje é minha vez de dizer obrigado. Todos os dias, aprendi com vocês. Vocês fizeram de mim um presidente melhor e fizeram de mim um homem melhor”, disse Obama.   Nos oito anos em que permaneceu na Casa Branca, Barack conseguiu aplicar o seu discurso positivo em algumas questões, como a reforma do sistema de saúde americano, que ficou conhecido como Obamacare, mas que pode ser extinto pelo seu sucessor, Donald Trump, ou o endosso ao casamento gay. Obama foi considerou uma ‘vitória da América’ a decisão da corte americana de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os estados do país.
Por outro lado, o carisma do presidente não conseguiu ser transformado nos votos que a republicana Hillary Clinton necessitava para vencer o democrata Trump na eleição. Se o governo terminou sem escândalos e com a popularidade alta – em mais de 50% -, a trajetória também acumulou pontos polêmicos como a não conclusão do fechamento da base militar de Guantánamo, a retirada de tropas do Iraque e Afeganistão e a tensão entre policiais e a população negra.
Reforma na saúdeEm março de 2010 Obama mudou a complexa lei do sistema de saúde dos Estados Unidos. Chamado oficialmente de Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA), o Obamacare definiu medidas para aumentar o acesso da população aos serviços médicos. O projeto proibiu as seguradoras de variar os valores planos baseados no histórico de saúde ou sexo e exige que que qualquer pessoa localizada nos Estados Unidos, americana ou estrangeira, deve ter um plano de saúde, sob pena de multa, além estabelecer que os cuidados preventivos, como vacinas e métodos contraceptivos, devem ser reembolsados de forma integral.
Com o plano de Obama mais de 20 milhões de americanos passaram a ter um plano de saúde e reduziu de 16% em 2013 para 10% a taxa da população que não tinha nenhum seguro. No último dia 13, a Câmara dos Representantes aprovou a resolução que pede aos comitês da Câmara e ao Senado que criem uma lei que revogue o programa. O Obamacare tem sofrido com a desfiliação de seguradoras que têm dificuldades em obter lucro e os constantes aumentos de preços das empresas que permanecem no sistema. 
Acordo nuclear com o Irã No campo diplomático, o acordo nuclear firmado entre os Estados Unidos e outros cinco países (Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) com o Irã, foi uma das grandes marcas de Obama na presidência. Pelo tratado, que começou a ser discutido em 2013 e foi firmado em 14 de julho de 2015, o país do Oriente Médio concordou em reduzir sua capacidade nuclear e permitir que suas instalações sejam inspecionadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O objetivo de Obama era impedir o que o Irã conseguisse ter acesso a uma bomba atômica. 
Em troca pelo acordo, os ativos iranianos que estavam congelados foram liberados e as sanções reduzidas. O Irã ainda foi retirado da lista de países sancionados pela ONU. Os Estados Unidos retiraram ainda as acusações de 14 cidadãos iranianos que eram procurados pela Interpol. 
Recuperação da economia Um dos principais desafios de Obama ao assumir a presidência seria enfrentar a grave crise financeira que o país enfrentava, com a pior recessão desde a Grande Depressão, em 1929. O maior pacote de estímulo econômico da história do país americano passou no Congresso e o presidente conseguiu aprovar ainda a chamada regulação Dodd-Frank, como objetivo de evitar um novo desastre no futuro.
Mais de dois milhões de empregos foram criados e a taxa de desemprego, que era de 7,8% quando Obama caiu, ficou em 4,7% em dezembro do ano. De acordo com relatórios, a geração de novos postos de trabalho se manteve crescente por 75 meses consecutivos.
Reaproximação com Cuba Nos últimos meses da sua gestão de presidente, Obama conquistou mais um triunfo diplomático. No dia 20 de março do ano passado, o presidente fez uma visita de três dias à ilha de Cuba. Foi a primeira vez que um presidente americano desembarcou em solo cubano em 88 anos. Acompanhado da mulher Michelle, ele discursou na capital Havana e afirmou que iria trabalhar para derrubar o embargo econômico imposto pelos EUA. Com frases em espanhol, ele foi aplaudido pelos cubanos. 
A reaproximação entre Estados Unidos e Cuba tiveram início em 2014, quando Obama e Raúl Castro surpreenderam o mundo ao anunciar a retomada da relação entre os dois países, interrompida 50 anos antes. Pelo acordo, Havana liberou um prisioneiro americano e Washington três agentes cubanos detidos. Em julho de 2015, a embaixada cubana em Washington foi reaberta. Um mês depois, foi a vez da reabertura oficial da embaixada dos Estados Unidos em Havana.
Incentivo ao casamento gayNo dia 26 de junho de 2015 a corte americana aprovou a união entre pessoas do mesmo sexo em todos os estados americanos. A decisão foi comemorada por Obama, que classificou a atitude como uma vitória para a América e um passo para a igualdade por direitos. 
A declaração de que era a favor do casamento gay veio dois anos antes, em junho de 2012. Em uma série de posicionamentos públicos, o presidente deixou clara a sua postura sobre o tema e rebateu o candidato republicano Mitt Rommey, que afirmou que o matrimônio deveria acontecer apenas entre homens e mulheres. 
"Em um determinado momento eu concluí que para mim, pessoalmente, é importante ir em frente e afirmar publicamente que eu acho que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar", disse durante entrevista na Casa Branca. "Eu havia hesitado sobre o casamento gay em parte porque eu achava que as uniões civis eram suficientes. Eu era sensível ao fato de que, para muitas pessoas, a palavra “casamento” é algo que invoca tradições e crenças religiosas muito fortes", continuou.
Fechamento de Guantánamo
A ordem para o fechamento pelo prazo de um ano aconteceu em 2009, mas o Congresso não concordou e os senadores impediram por ampla maioria que a Casa Branca usasse dinheiro de uma verba com fins de guerra para transferir detentos para o território dos EUA. Obama até conseguiu reduzir em 76%, mas o impasse entre o Congresso, os militares e conselheiros do Pentágono mantém o local ainda ativo.
Guerra do Iraque 
No primeiro momento, o presidente enfrentou resistência de alguns generais e conselheiros militares que queriam manter uma tropa de 10 mil soldados para manter o equilíbrio no local. Após negociações, os soldados americanos saíram do país, mas Obama acabou acusado de causar um espaço de poder que permitiu a ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico. As acusações foram usadas de forma constante por Trump durante a corrida presidencial.
Por conta do crescimento EI, os Estados Unidos foram obrigados a mandar de volta os soldados, ainda que em menor número, liderando uma coalização formada por 60 países.
Guerra do Afeganistão Outra Guerra que foi motivo para dor de cabeça de Obama foi a do Afeganistão. Ao assumir a Casa Branca ele prometeu colocar a situação de tensão nos 'eixos' e em 2009 enviou uma tropa de 30 mil soldados para o país, o que o próprio Obama considerou uma decisão difícil. Após poucos avanços, a atitude passou a receber críticas de que esta seria uma guerra sem fim.
No segundo mandato, Obama prometeu encerrar a guerra em 2014, feito que aconteceu apenas dois anos depois, apesar de tropas americanas ainda continuarem no país. "Acho que foi a decisão certa porque o Talibã naquele momento tinha ganhado muito impulso antes de eu assumir a presidência, em parte porque nós não tínhamos prestado a atenção devida ao Afeganistão”, afirmou ele em uma entrevista recente.
Ataques com drones
Organizações e ONGs criticaram os dados e muitos afirmaram que os equipamentos não eram ferramentas eficazes na guerra ao terror, já que dá a preferência por matar os terroristas, ao invés de capturá-los.
Ataque em escola Connecticut foi um dos momentos mais tristes do governo Obama (Foto: AFP) 
"Sei que não existe um pai nos EUA que não sinta o mesmo pesar que sinto. A maioria dos que morreram eram crianças. Elas tinham a vida toda pela frente, aniversários, formaturas, casamentos, seus próprios filhos', acrescentou", disse o presidente emocionado.
Em entrevista recente, ele lembrou a dureza de falar com os pais das crianças no dia seguinte ao massacre e afirmou que o fato de ter sido o presidente durante o ataque sempre o perseguirá de alguma forma.

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