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Postador Por Rembrandt Carvalho

'Seremos intolerantes', diz general do Exército sobre ação de tropas no ES

7.fev.2017 - Soldados comparecem ao local onde manifestantes contrários à paralisação da Polícia Militar realizaram um protesto em frente a quartel da PM em Vitória
O general Mauro Sinott, comandante dos enviado do Exército ao Espírito Santo, afirmou que as tropas das Forças Armadas no Estado não irão ser tolerantes. "Seremos intolerantes com qualquer situação que comprometa a segurança da tropa", disse à Record TV na manhã desta quarta-feira (8). O Estado capixaba vive uma crise de segurança pública desde sábado, dia 4, quando parentes dos PMs (Policiais Militares) passaram a impedir o trabalho das tropas.

Na tarde de ontem, militares tiveram de conter manifestações entre grupos contrários e apoiadores do movimento que impede o policiamento das cidades capixabas. O Estado está sem policiamento desde sábado, o que tem gerado onda de assaltos, arrastões e saques. Mais de 80 homicídios já foram registrados no Espírito Santo em cinco dias.

Segundo o general, o Exército também será intolerante com "o desacato e o desrespeito" às tropas. "Esperamos a compreensão e a cooperação das pessoas".


Sinott lembrou que os militares que estão no Espírito Santo têm experiência na atuação pela garantia "da lei e da ordem", tendo participado da segurança nos Jogos Olímpicos e na pacificação do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
Ao menos 1.000 militares estão no Espírito Santo. De acordo com o general, nos horários críticos, "todo o efetivo é empregado", o que teria acontecido até as 3h desta quarta.

Segundo Sinott, os capixabas já podem voltar às ruas. "A melhor contribuição que a população pode dar é retornar às suas atividades normais. Segurança é uma questão de sensação de segurança. Evidentemente, não saímos do caos em um minuto para a situação ideal".

O efetivo das Forças Armadas é de cerca de 10% do número de policiais capixabas. Com base nessa comparação, Sinott avalia que "é evidente que nós não seremos onipresentes no Estado".

O general diz que a prioridade é o patrulhamento nas áreas de maior circulação. "Entendemos assim, de acordo com o pedido da própria  Secretaria de Segurança, que é a demanda maior". Apesar disso, comércios seguem fechados. "É uma opção do próprio comerciante", diz Sinott.

Entenda a crise no Espírito Santo
No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

A Justiça do Espírito Santo declarou ilegal o movimento dos familiares dos PMs. Segundo o desembargador Robson Luiz Albanez, a proibição de saída dos policiais caracteriza uma tentativa de greve por parte deles. A Constituição não permite que militares façam greve. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.

A ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirma não ter relação com o movimento. Segundo a associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento real, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

A SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social) contesta as informações passadas pela associação. Segundo a pasta, o governo do Espírito Santo concedeu um reajuste de 38,85% nos últimos 7 anos a todos os militares e a folha de pagamento da corporação teve um acréscimo de 46% nos últimos 5 anos.






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