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Postador Por Rembrandt Carvalho

FHC diz que eventual cassação de Temer é ‘mais confusão’ para o país

“É mais confusão”. Foi assim que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se referiu nesta segunda-feira à possibilidade de realização de uma eleição indireta no país, em caso de uma eventual cassação do presidente Michel Temer (PMDB) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte começa a julgar nesta terça-feira a ação em análise pelo TSE, proposta em 2014 pelo PSDB, contra a chapa eleita, formada pela petista Dilma Rousseff e por Temer. O tribunal decidirá se houve abuso de poder político e econômico na última campanha presidencial.


— Não se trata de eleição. O Congresso é quem elege. Porque já temos muitas dificuldades hoje. Então, o Congresso vai eleger uma pessoa, que eu não sei quem é, para ser presidente por um ano no momento da eleição? É mais confusão. Meu Deus! Nós temos que pensar que temos 12 até 13 milhões de desempregados. Chegou um momento de fazer uma reflexão sobre o Brasil que tem de estar a frente dos interesses pessoais e partidários — disse o ex-presidente, em entrevista à rádio CBN, na qual tratou do lançamento do terceiro volume do seu livro ‘Diários da Presidência’ em que revela detalhes da crise no início do segundo mandato, em 1999.

Ao comentar sobre uma eventual queda de Temer, Fernando Henrique também avaliou que a troca do presidente poderia representar risco para a estabilidade econômica e uma possível retração de investidores.

— O Brasil está há muito tempo de pernas para o ar. Agora está começando a assentar um pouco. Se levar muito tempo num julgamento e pôr em risco a situação vigente, é claro que isso tem consequências negativas. Mas quem vai decidir é a Justiça — ponderou Fernando Henrique.

O ex-presidente também voltou a dar opinião sobre o debate a respeito da criminalização do caixa 2.

— Caixa 2 está capitulado no código eleitoral. É um delito. Você quer chamar de crime é crime. Mas não é igual penalização da corrupção. Quem diz isso não sou eu. Os procuradores da lava-jato, o Deltan Dallagnol (coordenador da operação) falou claramente: ‘nós não estamos atrás de caixa 2, mas da corrupção’ – explicou o ex-presidente. — A corrupção se caracteriza por políticos serem facilitários do uso do dinheiro público para beneficiar terceiros. Outra coisa é o caixa 2, 1, ou fora de caixa. Mesmo que o caixa 2 não implique em corrupção, implica em falsidade ideológica. A Justiça é que vai ter que dizer em cada caso qual é a pena correspondente e que tipo de crime é.

SOBRE DORIA EM 2018: ‘SE SUBIR, SUBIU’
O ex-presidente também defendeu mudanças no sistema eleitoral ao falar das investigações da operação Lava-Jato e do clima de tensão que envolve inclusive alguns de seus correligionários do PSDB. Fernando Henrique defendeu o fim das coligações proporcionais, além da criação de uma cláusula de barreira impedindo o acesso de partidos pequenos ao fundo partidário. Ele disse que o primeiro passo é a chamada reconstrução da “moral política do Brasil”.

— Os políticos têm que reconhecer que erraram. O problema hoje é de confiança nos políticos em geral e no sistema político eleitoral. Houve fragmentação partidária. São 30 partidos, isso é inviável. A maior parte não são partidos. São legendas, letras e siglas que negociam tempo de TV — disse Fernando Henrique. — É preciso acabar com essa facilidade de criar partidos para ter acesso ao fundo partidário. Tem que fazer isso até setembro. Isso já daria um alívio enorme.

Ele negou que o PSDB já tenha um candidato para 2018. E também comentou especulações sobre o nome do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para disputar a a vaga. Fernando Henrique ponderou que é preciso saber primeiro “quem vai parar em pé” em meio as recentes denúncias atribuídas a delações premiadas que podem envolver políticos tucanos. Ele disse ainda que é preciso de mais tempo para avaliar a euforia em torno do nome de Doria.

— Vai depender o desempenho dele (Doria). É um balão que tá subindo. Vai subir? Vamos ver. Se subir, subiu — concluiu.


O Globo

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